A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 19/04/2024

Arquitetura hostil se caracteriza por condicionar o comportamento humano no espaço urbano. Nesse contexto, essa problemática se mantém no Brasil devido a desigualdade social que divide a sociedade e a insensibilidade humana comum a realidade contemporânea.

A princípio, vale ressaltar que a desigualdade social reforça as construções hostis nos espaços públicos. Segundo Ariano Suassuna o Brasil é um país dilacerado em dois pela desigualdade social, o país dos privilegiados e o dos despossuídos. Sob essa ótica, os que consomem e/ou trabalham no espaço urbano possuem o privilégio do direito à cidade e os que buscam abrigo não possuem, são excluídos pelo design arquitetônico limitante de permanência. Assim, é primordial que a nação seja reconstituída e a igualdade seja preservada no ambiente coletivo.

Ademais, convém frisar que a insensibilidade humana contribui para a existência e manutenção da arquitetura hostil. Conforme Zygmunt Bauman, a falta de vínculo sólido nas relações humanas é resultante da modernidade líquida. Nesse sentido, a liquidez moderna atualmente se expressa na falta de sensibilidade ao sofrimento das pessoas em situação de rua, causados pela arquitetura hostil, no que diz respeito a impossibilidade de abrigar-se nos espaços públicos. Dessa forma, é urgente a conscientização da massa sobre o assunto para que a possibilidade da empatia coletiva seja despertada.

Portanto, conclui-se que medidas que erradiquem as causas da arquitetura hostil precisam ser desenvolvidas. Para isso, é necessário que o Ministério da Cidadania crie um auxílio temporário para as pessoas em situação de rua, de modo a ser suficiente para moradia e alimentação, esse será pago até a inserção no mercado de trabalho. Para que isso aconteça, precisa-se estabelecer parcerias com empresas privadas para haver cotas de vagas de emprego para tal público em troca de redução de impostos, dessa maneira as disparidades sociais serão reduzidas. Por conseguinte, o mesmo ministério tem que desenvolver campanhas de conscientização, a serem veiculadas na mídias sociais, sobre a importância da empatia para a consciência de pertencimento em sociedade da população em situação de rua e da sensibilização da sociedade como um todo.