A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 25/07/2024
Sob esse viés, vale ressaltar que ter um corpo social com uma base democrática sólida é de grande importância para reduzir a perpetuação da arquitetura hostil como forma de exclusão social. No entanto, apesar da excelência em edificar uma comunidade que se molde em prol da igualdade de direitos, fica claro que há um desvio nessa edificação, dado que uma parcela da população brasileira vive sendo excluída nas construções públicas. Por exemplo, a implantação de bancos com divisórias pelas cidades, com o objetivo de impossibilitar o repouso de um morador de rua, assim, isolando-o da comunidade. Nesse viés, nota-se um comportamento consoante ao abordado pela jornalista Eliane Brum, no qual para haver justiça social faz-se necessário ter democracia, dessa forma, é essencial garantir que todos os cidadãos tenham acesso aos diretos estabelecidos por uma democracia.
Além disso, salienta-se que a falta de participação ativa do cidadão nas políticas públicas brasieiras está interferindo continuadamente na manutenção da arquitetura hostil como mecanismo de marginalização. Desse modo, pode-se afirmar que prova dessa ausência é não implementação de melhorias nas construções públicas, como exemplo, praças aconchegantes que sirvam de refúgio para aqueles que não possuem moradia. Tais fatos foram evidenciados nos estudos de Lima Barreto, escritor pré-modernista, “O Brasil não tem povo, tem público”, dessa maneira, é inadmissível um país que é grandiosamente populacional não tenha um povo ativo, que deixe de lado a luta por um sistema menos excludente.
Dessa forma, cabe ao governo promover maior conhecimento populacional sobre o impacto da sua atuação política, por meio de debates que ocorram em praças abertas ao público, com o objetivo de mostrar como o povo pode colaborar na construção de políticas públicas que beneficiem os moradores de rua, já que o cidadão tem maior contato com os problemas da cidade. Assim, contribuindo na elaboração de arquiteturas acolhedoras e não colocando em prática o filme estadunidense.