A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 23/06/2024
No período pós abolição da escravatura, pessoas já alforriadas não podiam frequentar certos lugares e ambientes destinados apenas à elite branca. Análogo ao período, na atualidade,o desenvolvimento da arquitetura hostil é uma mecanismo de segregação e exclusão social. Esse cenário é fruto da desigualdade e da omissão midiática.
Em primeira análise, a necessidade da hostilização do espaço urbano é reflexo da desigualdade social. De acordo com o Índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade de um país, o Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo. Paralelo ao fato, há o crescente número de moradores de rua e a arquitetura hostil surge como uma forma de dificultar a ocupação do centros urbanos por mendigos. Assim, a desigualdade e a segregação social são perpetuadas.
Ademais, a omissão midiática contribui para a normalização da problemática.De acordo com o escritor Eduardo Galeano, a primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la. Desse modo, a ausência de discussão na mídia fomenta a falta de conhecimento da população sobre os males da arquitetura hostil que,através de uma estratégia de design,visa controlar ou limitar o comportamento humano.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para acabar com esse tipo de construção.Para isso é preciso que o Tribunal de Contas da União destine capital que, por intermédio do Ministério das cidades, será revertido em ações que visem tornar o espaço urbano acolhedor e inclusivo com mudanças na parte da arquitetura. Além disso,deve-se criar programas que visem tirar à população da rua,com a disponibilidade de espaços para as pessoas sem lar dormirem e subsídios para financiar imóveis para a população menos abastada. Assim, espera-se sanar os males da arquitetura hostil.