A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 16/09/2024
“Não é tão comum morrer de amor, mas neste momento, em todas as partes do mundo, milhões morrem por falta dele”. Essa frase de James Baldwin, importante crítico social estadunidense, expõe a situação da sociedade hodierna, marcada pela falta de empatia. Dessa forma, contextos como o descrito pelo pensador impulsionam situações de exclusão, como a formação de uma arquitetura hostil. Isso ocorre devido a fragilização da democracia pautada na inobservância das leis.
Nessa perspectiva, primeiramente, o conceito democrático se define pelo compartilhamento entre os cidadãos da condição de igualdade. Todavia, esse parâmetro ideal, apesar das diretrizes constitucionais, não se estabelece plenamente na sociedade, dando impulso às assimetrias sociais. Esse cenário é analisado por Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, que afirma que a não confirmação das leis de forma acionária gera os chamados “Cidadãos de Papel”. Dessa maneira, o direito inalienável de livre circulação, por exemplo, é impedido intensionalmente pela edificação de uma arquitetura hostil pelo gradeamento de parques públicos. Essa situação promove a restrição desse ambiente, induz a uma cidadania cujas bases se estabelecem somente no livro constitucional, bem como uma democracia fragilizada pela desigualdade.
Ademais, a inobservância das leis democráticas é uma ameaça à dignidade humana. Assim sendo, a música “A Cidade” de Chico Science, cantor o compositor nordestino, diz que “a cidade não para, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce”. Nesse sentido, segundo o artista, a evolução da urbes intensificou uma logística de desigualdade, pondo “em cheque” os direitos inerentes a todos os membros da família humana. Esse contexto é instigado pela construção de uma arquitetura hostil marcada pela gentrificação, processo no qual áreas mais populares são substituídas gradualmente por comércios mais abastados.
Portanto, o desmonte da arquitetura hostil é imprescindível para a igualdade. Desse modo, o Estado, agente promovedor da democracia, deve descronstruir os mecanismos de exclusão, mediante a concretização das leis e a fortificação das bases democráticas. Essas ações objetivam a quebra da “Cidadania de Papel”.