A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 30/05/2024
No início do século XX, a prefeitura do Rio de Janeiro implementou uma reforma urbanística que consistia em desalojar famílias pobres do centro da cidade e afasta-las para as periferias. Desde aquele época, há o ideal de cidade sem pobreza, mas em vez de solucionar a problema o poder público prefere esconder. Diante do exposto, é válido debater a respeito da arquitetura hostil, um conceito usado para reformas urbanas que visam afastar pessoas em situação de rua dos centros urbanos.
A priori, em 2021, o padre Júlio Lancellotti chamou atenção para o debate ao quebrar, com golpes de marreta, pedras instaladas debaixo de um viaduto pela prefeitura de São Paulo, ele afirma : as pessoas sentem a hostilidade, vão se tornando refugiados urbanos. Nesse sentido, a arquitetura hostil é uma ilegalidade, uma vez que é um conjunto de dispositivos mascarados que têm como objetivo impedir a permanência de pessoas em situação de rua em determinados espaços urbanos, ou seja, impede o uso do espaço público assegurado na constituição vigente.
Outrossim, destaca-se que a exclusão social está atrelada a arquitetura hostil. Uma prova disso, é o déficit habitacional de 7 milhões de moradias, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas. Sendo assim, Sendo assim, ao mesmo tempo que o estado e instituições privadas criam meios de afastar essas pessoas de locais não há locais para tirá-los das ruas.
Em suma, percebe-se a falta de planejamento estatal para lidar com as pessoas que vivem em situação de rua. Dessa forma, é necessário que o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania desenvolva projetos habitacionais, isso deve ser feito em parceria com as Secretarias Estaduais de Desenvolvimento Urbano, por meio de verbas nacionais e estatais, com a finalidade de construir albergues que não apenas recebam pessoas em situação de rua mas forneça mecanismos de independência, como direcionamento para o mercado de trabalho e tratamento psicossocial. Por fim, com essas medidas, ter-se-à um Brasil diferente, que não exclua cidadãos, mas que os protejam e os faça prosperar.