A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 22/05/2024

Simone de Beauvoir, ativista política, afirmou “Não há crime maior que destituir o ser humano de sua própria humanidade e reduzí-la à condição de objeto”. É com essa visão que torna-se necessário solucionar a questão do crescimento da arquite-tura hostil como mecanismo de exclusão social. Sendo assim, destaca-se duas pro-blemáticas, o crescimento de ideais defendidos majoritariamente pelos partidos conservadores e a modificação errônea de um ambiente público.

Primeiramente, urge a compreensão da influência das políticas conservadoris-tas no âmbito de organização social. De acordo com uma matéria do jornal UOL, historicamente, a mentalidade neoliberal discursa na tentativa de convencer os indivíduos da existência de uma sociedade meritocrática. Ou seja, de acordo com essa visão, no que tange à questão de moradores de rua, por exemplo, a principal razão pela qual essas pessoas não possuem uma moradia é pela sua incapacidade de ascender economicamente. Nesse viés, assimila-se que a maior preocupação dessa narrativa é colocá-los como adversários do progresso, ao invés de buscar políticas que retirem a possibilidade de uma exclusão social de forma institucional.

Em segunda análise, tem-se a ideia de que o ambiente público pode ser modifi-cado tal qual uma propriedade privada. A esse respeito, a arquiteta Luisa Coelho pontua que arquitetura hostil se classifica como um modelo que vai além do desejo da população. Sob essa perspectiva, cabe-se entender que a construção de algum local público ou artifício que não vise a utilização confortável pelos seus usuários, em nada se difere de uma propriedade privada. Afinal, da mesma forma que a acessibilidade, por exemplo é questão de necessidade pública, a existência de uma arquitetura que integre as diversidades de uso se torna urgente.

Despreende-se, portanto, que a arquitetura hostil deve-se ruir por completo dos ambientes públicos. Dessa forma cabe ao senado produzir um PL (Projeto de Lei), cujo proíba a existência desse tipo de edificação, por meio de ficalizações efe-tuadas por parte das prefeituras, a fim de criar ambientes mais saudáveis e harmô-nicos de convivência nas cidades. Somente desse modo, a humanidade dessas pes-soas excluídas socialmente será restituída, assim como disse Simone de Beauvoir.