A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 28/04/2024
“Arquitetura hostil” é expressão que dialoga com práticas segregacionistas do Brasil pós-abolição da escravatura, quando pessoas, mesmo já alforriadas, não podiam ocupar os centros urbanos. Nos dias atuais, a exclusão social pela arquitetura hostil é algo que vem sido palco de debates no país. Com isso, é necessário analisar a ineficiência de leis e a má influência midiática.
Em primeiro plano, é necessário destacar a ineficácia da legislação como agravante nessa problemática. Nesse âmbito, segundo Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz. Visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. De fato, as normas são escassas na fiscalização periódica de obras arquitetônicas hostis, por exemplo: O formato de bancos irregulares que impede os indivíduos de se deitar ou sentar. Consequentemente, sem um espaço para servir de abrigo a comunidade sem teto são obrigados a se retirar do local.
Ademais, é válido ressaltar que a maléfica interferência da mídia impulsiona essa conjuntura. Acerca disso, para o escritor Eduardo Galeano, a primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la. Entretanto, o núcleo midiático não tem debatido regulamente sobre como reconhecer uma construção com hostilidade, tendo como exemplo a utilização de pedras para decorar áreas livres. Por conseguinte, essas decorações — vista somente sob um viés decorativo — escondem a outra face feita para afastar essa parcela cívica do ambiente. Assim, é crucial o apoio do poder midiático para reconhecer esses cenários hostis.
Portando, medidas são necessárias para diminuir tal exclusão social da classe baixa. O Poder Executivo deve por meio de ações policiais dos estados brasileiros, fiscalizar os locais públicos de acesso a toda a população, com o fito de diminuir tais processos de exclusão.O Ministério da Educação, deve criar projetos de conhecimento para as crianças e adolescentes, por meio de palestras ministradas por pessoas qualificadas, a fim de informar os jovens sobre a arquitetura hostil e como ela pode excluir uma parcela da população brasileira. Visto que essa nova geração é o futuro do país.