A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 29/04/2024
A arquitetura hostil tem sido utilizada como mecanismo de exclusão social em diversos contextos urbanos, gerando impactos negativos para grupos marginalizados. Esse tipo de arquitetura se caracteriza por elementos que visam dificultar ou impedir a presença e circulação de determinados grupos sociais em espaços públicos.
Em primeiro lugar, é relevante destacar, ineficácia da legislação como agravante nessa problemática. Nesse sentido, segundo Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. De fato, as normas são escassas na fiscalização periódica de obras arquitetônicas hostis, por exemplo: O formato de bancos irregulares que impede os indivíduos de se deitar ou sentar. Consequentemente, sem um espaço para servir de abrigo, os a comunidade sem teto são obrigados a se retirar do local. Logo, as leis devem ser mais efetiva na fiscalização desses lugares.
Ademais, é válido ressaltar que a maléfica interferência da mídia impulsiona essa conjuntura. Acerca disso, para o escritor Eduardo Galeano, a primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la. Entretanto, o núcleo midiático não tem debatido regulamente sobre como reconhecer uma construção com hostilidade, tendo como exemplo a utilização de pedras para decorar áreas livres. Por conseguinte, essas decorações — vista somente sob um viés decorativo — escondem a outra face feita para afastar essa parcela cívica do ambiente. Assim, é crucial o apoio do poder midiático para reconhecer esses cenários hostis.
Portanto,é fundamental repensar o papel dos arquitetos e urbanistas na construção das cidades, buscando promover espaços mais inclusivos e acessíveis para todos os cidadãos. A arquitetura deve ser pensada de forma a favorecer a interação e o encontro entre as pessoas, sem reforçar barreiras físicas e simbólicas.
Essa ação pode se intensificar, ainda, com o apoio do núcleo midiático, em difundir formas de reconhecer a hostilidade nas obras arquitetônicas, com o fito de sensibilizar e denunciar essas situações.