A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 12/06/2024

No Brasil, há poucos espaços públicos da qual pode-se inferir que são resultados de leis urbanistas excludentes onde prevaleceram o imperioso racionalismo. Tem-se inúmeros moradores de rua ocupando esses lugares hostis que por vezes são projetados com grades, formas pontiagudas e outras impedindo até mesmo que eles possam sentar ou dormir, provisoriamente. Com o aumento da população de rua pode-se concluir que os albergues não devem acomodar todos eles, mesmo sendo um espaço por muitas vezes evitado pelas suas regras e idiossincrasias.

Pode-se pensar que esse problema (de todos) seja discutido nas faculdades de arquitetura, arte e design e que muitos trabalhos de pesquisa e extensão realizem ações notáveis e humanistas para a população de rua. Nesse sentido, vislumbra-se que esses criadores sejam também agentes multiplicadores dessa questão social e promovam uma emergente situação social além do Padre Lancellotti, que tem divulgado ações significativas nas mídias sociais.

Infelizmente, a cidade frenética que nunca para de receber edifícios altos, a cobiça da espécie humana e suas inúmeras moradas de luxo pode ser resumida em 3 palavras: excludente, perversa e hostil. Nesse sentido, pode ser lembrado as críticas do geografo Milton Santos que antecipou a todos sobre o conceito de território, na globalização, e todas as suas contradições e contrastes entre riqueza e pobreza, no Brasil. Vai de encontro também com a mesma sociedade vigiada, preconizada pelo filósofo Foucault do “vigiar e punir” .

Diante desse exposto, e dos desprezos individuais e coletivos, espera-se que além das faculdades, do Padre Lancellotti, de deputadas/os e outros cidadãos, hajam ações pontuais em prol da dignidade da população de rua e estejam todos atentos na eliminação da arquitetura hostil, no Brasil. E, claro – tudo isso, em paralelo, com ações públicas governamentais e o poder da jurisprudência no impedimento que prevaleçam gostos particulares e empresariais tão bem projetados pelos gananciosos da construção civil.