A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 04/07/2024

Segundo o padre Júlio Lancellotti, a arquitetura hostil é um termo empregado para descrever construções que visam evitar que moradores de rua ocupem espaços destinados à circulação. No país, tal problemática emerge como uma política silen-ciosa e eficaz de exclusão da populção gerada por falta de medidas públicas e desi-gualdade social.

Em primeira instância, deve-se ressaltar a falta de medidas governamentais para o combate à exclusão social. Nesse sentido, é preciso considerar que a arquitetura hostil muitas vezes é resultado da ineficiência do Estado quanto à suas políticas, visto a falta de medidas tomadas pelo detentor dos três poderes. Portanto, cabe nesse contexto, citar a célebre frase do filósofo Jean-Paul Sartre : “Toda palavra tem consequências, todo silêncio também.” A falta de atitude do Estado acerca de me-didas públicas que visem combater a exclusão social gerada pela arquitetura hostil, permite que essa forma de exclusão velada se perpetue.

Ademais, é fundamental apontar a desigualdade social como impulsionador da ar-quitetura hostil no Brasil. Segundo o sacerdote Júlio Lancellotti, essa prática é uma expressão direta das desigualdades econômicas que permeiam a sociedade brasi-leira. Nesse viés, a arquitetura hostil não somente reflete, mas também amplifica as desigualdades, perpetuando um ciclo de exclusão. A concentração de renda con-tribui para marginalizar grupos vulneráveis, os impondo espaços urbanos hostis e precários. Contudo, essa segregação social não apenas reflete as desigualdades, mas também as aprofunda.

Depreende-se, desse modo, a necessidade de deter a arquitetura hostil como me-canismo de exclusão social e seus impactos. Por isso, urge que o Estado-responsável pelos três poderes - promova políticas públicas a fim de combater a exclusão social gerada pela arquitetura hostil por meio de palestras informativas que visem reverter a falta de medidas governamentais para o combate à exclusão social. Além disso, a sociedade civil deve engajar-se no apoio à medidas que visem acabar com a arquitetura hostil e seus prejuízos. Assim, consolidar-se-a uma sociedade que minimiza os impactos negativos da arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social.