A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 15/07/2024
As ideias eugenistas que seduziram os americanos nos anos 1930 incentivaram práticas de esterelização social através da superioridade de indivíduos em detrimento de outros. De maneira análoga, é possível perceber a mesma condição no que concerne à arquitetura hostil, que tem origem inegável na ausência de senso de coletividade. Assim, é crucial pontuar como causa dessa questão a mentalidade social e a negligência estatal.
A princípio, é notório ressaltar como propulsora do entrave o pensamento segregador que assola a estrutura do corpo social. O apartheid, regime de separação racial, ocorrido na África do Sul excluía minorais na ocupação de espaços públicos e educacionais. Nesse contexto, é perceptível que essa visão ainda é persistente no contexto hodierno que consiste na prática de grades, rochas e pregos em marquises, em rodovias e entre outros locais comumente utilizados por pessoas em condição de vulnerabilidade socioeconômica. Desse modo, é importante uma intervenção nessa vicissitude.
Além disso, outra configuração para o impasse está na omissão do Estado. Segundo Aristóteles, filósofo grego, a política deve ser estimulada pelos homens a fim de alcançar o equilíbrio social. Conforme o exposto, é notório que o poder público não atua em ações que visam a estratificação da população por meio da arquitetura hostilizada e individualista e , com isso, indivíduos em situação de rua encontram-se em desamparo e sem assistencialismo estatal.
Portanto, é imprescindível ações direcionadas a combater a arquitetura hostil que promove a exclusão. Dessa forma, urge que o Estado crie políticas públicas, por intermédio de verbas governamentais, a fim de garantir a inclusão de grupos segregados pelas práticas individualistas de estruturas hostilizadas. Tal ação irá mudar o pensamento da sociedade, implementando um senso de coletividade e a função do governo será efetuada. Feito isso, práticas de esterelização na sociedade não farão parte do cenário brasileiro.