A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 14/08/2024
No filme “À procura da felicidade”, estrelado pelo ator norte-americano Will Smith, observa-se uma cidade populosa, movimentada e com alto índice de mora- dores de rua, onde a arquitetura hostil é utilizada como ferramenta de segregação social. Similarmente à obra, o exemplo de exclusão social também é um problema na realidade brasileira. Nesse viés, é imprescindível analisar não apenas a ineficiên- cia estatal, mas também o silenciamento.
Primeiramente, é fulcral a presença de um Estado ativo no combate à problemá- tica. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, os apátridas — pessoas deslocadas — se constituíam em uma exceção política e não tinham a cidadania reconhecida no Estado. Sob esta perspectiva, o governo brasileiro coincide com tal conceito ao negligenciar a população em situação de rua e não promover políticas públicas que atuem no combate à arquitetura hostil.
Ademais, a falta de debates acerca do assunto agrava o cenário discutido. Para a filósofa brasileira Djamila Ribeiro, é necessário tirar uma situação da invisibilidade e atuar sobre ela para que hajam transformações. Nesse sentido, no que tange a permanência do uso da arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social, é evidente que percorre na conjuntura vigente o silenciamento sobre o tema, visto que é parco o debatimento da problemática na mídia das massas e nas escolas. Com isso, é essencial tomar medidas que convertam esse quadro.
Depreende-se, portanto, que é crucial combater o empecilho instaurado em am- bientes urbanos e públicos. Cabe ao Estado, por meio de parcerias com redes hote- leiras, promover a criação de albergues com o objetivo de amparar e acolher pes- soas em situação de vulnerabilidade sócioeconômica, garantindo qualidade de vida. Além disso, é fundamental a criação e propagação de comerciais em horários nobres sobre a arquitetura hostil, visando informar a sociedade sobre os impactos dessa cultura.