A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 20/08/2024
Certamente, após o crescimento do capital e a criação de novas tecnologias, o espaço urbano passou a receber investimentos para ser desenvolvido. No entanto, tal cenário provocou uma arquitetura hostil que exclui indivíduos da sociedade. Assim, é preciso analisar as causas e consequências do mecanismo em questão.
De início, vale ressaltar que construções desfavoráveis ao uso comunitário são recursos que controlam o comportamento humano com o objetivo de afastar determinadas classes sociais sob a alegação de almejarem segurança e liberdade estética. A esse respeito, na série “Black Mirror”, o episódio “Nosedive” debate sobre um futuro em que o acesso ao espaço e o modo como ele era aproveitado estava associado ao fator financeiro. Fora da ficção, políticos e empresários também buscam exercer tal autoridade sobre parte da população ao incluir, por exemplo, divisórias ou pinos para evitar que moradores de rua deitem e afastem indivíduos ricos. Apesar das pessoas naturalizarem ações desse tipo, essas ideias fazem com que a aporofobia, a aversão aos pobres, seja reforçada.
Ademais, a mercantilização das obras inviabiliza o desenvolvimento de uma cidade hospitaleira e realça as desigualdades sociais. Conforme a Lei Padre Júlio Lancellotti, todo ser humano tem o direito de usufruir do espaço público, como as praças, as calçadas e os jardins, de modo respeitoso e cuidado. Nesse sentido, fica claro que esse importante ordenamento jurídico é contrariado quando as políticas urbanas não conseguem promover o crescimento ordenado do espaço e garantir o bem-estar dos habitantes, tendo em vista que elas preferem isolar aqueles que são vulneráveis ao invés elaborar projetos que diminuam a quantia de desabrigados, negligenciando, portanto, a raiz da verdadeira ojeriza. Urge, pois, que a falta de empatia, a marginalização e o índice de pobreza sejam revertidos.
Logo, com o intuito de promover conforto, abrigo e acessibilidade na fruição de espaços livres de uso público, é necessário que o Ministério das Cidades, como órgão responsável pela arquitetura equilibrada dos centros urbanos, por meio de um reajuste de verbas, aumentar a fiscalização dos projetos de construção e punir todas as irregularidades. Além disso, cabe à população executar protestos que sensibilizem as autoridades a assumirem posturas efetivas contra a pobreza.