A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 27/09/2024
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os cidadãos o direito à liberdade e a dignidade, sem distinções . No entanto, no contexto atual, nota-se que essa in- distinção não ocorre, uma vez que os governantes de grandes cidades usam da arquitetura hostil como um mecanismo de segregação social. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: negligência governamental e o individualismo.
Em primeira análise, é importante destacar que o descaso governamental caracteriza-se como um complexo dificultador. O Padre Julio Lancellotti, residente da cidade de São Paulo, ganhou visibi- lidade nos ultimos anos devido ações filantrópicas em apoio aos moradores de rua e sua militância contra medidas adotadas pelo governo. Medidas como a adição de pedras embaixo de viadutos e obstáculos em assentos públicos foram adotadas com o intuito de interferir no espaço público e impedir a livre circulação desse grupo. Situação preocupante pois vai contra o bem-estar e a liberdade da população.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão do individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasi-leira, no que tange a questão da arquitetura hostil como meio de exclusão social. Essa liquidez que decai sobre a sociedade atual é uma das causadoras dessa problemática, uma vez que recusar-se à enxergar o contexto ao seu redor faz com que situações como essa sejam encaradas como algo a ser escondido, e não solucionado. As alterações urbanas, constantemente combatidas pelo padre possuem um único objetivo: mascarar problemas sociais para que não afete a vida do
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para esse fim, é preciso que ONG’s em parceiria com mídias de grande acesso, criem campanhas nas redes sociais que façam a sociedade repensar a priorização de seus interesses individuais. Tais campanhas devem refletir a atuação desses interesses na irresolução da exclusão social causada pela arquitetura hostil, para que a população possa decidir criticamente quais são as prioridades que promovem o bem-estar coletivo. E dessa forma, assegurar a todos os cidadãos, sem distinções, o que está previsto na constituição.