A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 04/09/2024
Na obra “Brasil, País do Futuro”, Stefan Zweig, autor austríaco, em sua visita ao Brasil, classificou o país a ser uma das mais importantes nações no futuro. No entanto, hodiernamente, o Brasil está longe de alcançar tal classificação, e a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social se caracteriza como um impasse para isto, tendo em vista a omissão estatal e o preconceito social contra indivíduos em situação de rua como pilares deste desafio.
Primordialmente, vale ressaltar a importância de um Estado presente nas questões sociais de seu domínio. Destarte, segundo Thomas Hobbes, filósofo inglês, o Governo é responsável por garantir o bem-estar de sua população. Sendo assim, de forma hipócrita, o Estado, ao implementar uma arquitetura hostil, inibe que certos espaços sejam utilizados para descanso e lazer, prejudicando essencialmente moradores de rua que também constituem parte da população. Por consoante, urge a necessidade de manutenção da arquitetura para que deixe de ser hostil no país.
Outrossim, além da omissão estatal, o preconceito social contribui pontualmente na adesão da arquitetura hostil no país. Nessa ótica, Claude Levi-Strauss, antropólogo francês afirma que só é possível compreender adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Desta forma, a sociedade vêm excluindo pessoas em situação de rua, por acreditarem que estas ao não trabalharem e apoiarem a economia do país não podem ser consideradas cidadãos, reservando um tratamento diferente em relação a pessoas com uma boa condição financeira, permitindo a normalização da arquitetura hostial. Por conseguinte, é evidente a urgencia de medidas contra o preconceito social no país.
Portanto, a respeito da arquitetura hostil como medida de exclusão social, o Brasil possui entraves que carecem de resolução. Logo, cabe ao Estado promover campanhas de conscientização e infraestruturas que auxiliem o convívio destes grupos socias no país, por meio de palestras em instituições de ensino, divulgação de informações importantes por todos os meios de comunicação e remoção da arquitetura hostil em certos ambientes, com a finalidade de alcançar as expectativas do autor austríaco em sua obra.