A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 17/10/2024

Na obra “A República”, o filósofo grego Platão idealiza Kallipolis, uma cidade livre de conflitos e problemas, na qual a cidadania plena é um privilégio universal. Essa ideia de harmonia social tornou-se um modelo, guiando, ao longo dos séculos, os esforços das nações em busca de uma sociedade mais equitativa e próspera. No entanto, apesar do lapso temporal, problemas como a arquitetura hostil ainda representam um obstáculo à efetivação de um corpo social justo e equilibrado. Sob esse viés, faz-se primordial debater acerca da negligência governamenta e do ocultamento social como fatores que favorecem um quadro de exclusão social.

Sob essa perspectiva, é imprescindível ressaltar a negligência do Poder Público atua como fator agravante dos efeitos negativos que esse tipo de arquitetura provoca. Nesse sentido, A Constituição de 1988 consagrou os direitos sociais como fundamentos centrais da sociedade brasileira, estabelecendo o acesso a bens públicos como um dos pilares da nação. Em um país que superou as cicatrizes da ditadura, assegurar esse direito é vital para a construção de uma coletividade mais justa e igualitária. Contudo, o Governo permanece omisso na efetivação desse princípio, em virtude da escassez de investimentos voltados a combater os entraves que provocam essa remodelagem da cidade, como a ausência de moradias para pessoas em situação de rua, o que perpetua a situação atual. Logo, sendo o Estado promotor do bem-estar social, é inconcebível que o acesso ao lazer e bem-estar por meio do uso dos meios públicos permaneça em segundo plano.