A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 02/08/2025

“Ordem e Progresso”, um lema do filósofo brasileiro Raimundo Teixeira, que busca enaltecer a magnitude da república do Brasil mediante aos seus avanços. Porém, ao observar a criação de arquiteturas hostis nas cidades desse país, é possível afirmar que esse progresso idealizado por Teixeira não está sendo realizado conforme deveria. Com base nisso, é imprescindível entender os principais motivadores desse problema na contemporaneidade.

Nesse sentido, é notório dizer que a principal causa do problema é a falta de construções de cunho ajudativo ao invés dessas que prejudicam a vida dos moradores de rua. Isso ocorre, porque segundo a urbanista Erminia Maricato vivemos em uma “modernidade conservadora”, que é o empenho do governo em investir em projetos econômicos enquanto não investe no desenvolvimento social da população, ou seja, o Brasil se torna rico em PIB, mas pobre em IDH. Desse modo, a falta de lugares que apoiariam os sem lares se relaciona com o que foi dito por Maricato, visto que não é economicamente vantajoso para o governo brasileiro, mas sim a construção de lugares hostis para afastarem eles das cidades.

Ademais, é inegável que outro motivo da criação de arquiteturas hostis nas cidades acontece pela falta de cumprimento das leis brasileiras. Tal fato acontece, pois segundo a Constituição Federal Brasileira de 1988 é garantido a todos os cidadãos do país uma moradia e educação digna. Logo, é perceptível que ela não é cumprida ao observar a quantidade de moradores de rua no Brasil. Assim, pela falta conformidade com a legislação, o governo toma medidas contra os direitos humanos, construindo ferramentas de expulsão para essas pessoas que estão vivendo nas ruas das cidades, sendo que se houvesse moradia para todos essa ação desumana não precisaria ser tomada.

Portanto, a presença da arquitetura hostil nas cidades ocorre pela falta de cumprimento com a Constituição. Assim, é necessário que o Poder Legislativo trabalhe junto com o Ministério das Cidades (responsável pelas atividades de todas as cidades brasileiras) para construir espaços urbanos que apoiem os moradores de rua. Isso ocorrerá por meio de parcerias com ONGS, a fim de acabar com o único motivo do governo de construir arquiteturas hostis.