A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 20/09/2025

No livro O Nascimento da Clínica, Michel Foucault evidencia como a medicina moderna se consolidou a partir da observação rigorosa e sistemática do corpo humano, destacando a importância do conhecimento especializado na promoção da saúde. Contudo, no Brasil contemporâneo, observa-se a crescente prática da automedicação, na qual indivíduos buscam tratar enfermidades sem a devida orientação profissional. Essa conduta representa um desafio social, pois compromete a integridade física dos cidadãos e sobrecarrega o sistema público de saúde.

Nesse sentido, a banalização do consumo de fármacos é um aspecto que acentua a problemática. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, grande parte dos efeitos adversos registrados em hospitais decorre do uso inadequado de medicamentos, revelando os riscos de práticas sem prescrição médica. No Brasil, a ampla comercialização de remédios em farmácias e o hábito cultural de recorrer a soluções caseiras ou indicações leigas fomentam esse cenário. Como resultado, a população se expõe a intoxicações, interações medicamentosas perigosas e resistência antimicrobiana.

Ademais, é inegável a sobrecarga do sistema de saúde público. Sob a ótica da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantindo acesso universal por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, a demanda excessiva por atendimentos emergenciais, ocasionados por complicações da automedicação, agrava a já existente dificuldade de gestão do SUS. Assim, o problema da automedicação amplia desigualdades e compromete a eficácia do atendimento público.

Portanto, a automedicação no Brasil configura-se como uma prática prejudicial que fragiliza a saúde individual e coletiva. Nesse contexto, para mitigar a questão, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as redes de farmácias, promover campanhas nacionais de conscientização em meios televisivos, digitais e escolares, explicando os riscos da prática e incentivando a busca por atendimento médico antes do consumo de fármacos. Tais medidas visam reduzir a banalização dos remédios e, por consequência, minimizar a sobrecarga do sistema de saúdE.