A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 27/09/2025

No Brasil, o hábito da automedicação se tornou uma prática comum e preocupante. Dados do Conselho Federal de Farmácia apontam que cerca de 77% dos brasileiros tomam medicamentos sem orientação médica. Essa conduta, muitas vezes motivada pela facilidade de acesso a remédios e pela demora em atendimentos no sistema de saúde, gera riscos à saúde individual e sobrecarrega o sistema público, evidenciando a necessidade de políticas de conscientização e controle. Um dos principais fatores que explicam a prática da automedicação no Brasil é a facilidade de acesso a medicamentos sem prescrição e a dificuldade de atendimento médico no sistema público de saúde. Muitas pessoas, diante de filas longas ou falta de profissionais, acabam recorrendo ao conselho de amigos, familiares ou da internet para decidir o que tomar. Essa prática reforça a ideia de que os medicamentos são inofensivos, quando na verdade podem causar efeitos graves. Como exemplo, o uso indiscriminado de antibióticos contribui para o aumento da resistência bacteriana, problema apontado pela Organização Mundial da Saúde como uma das maiores ameaças globais à saúde. As consequências da automedicação vão além dos riscos individuais. Para o sistema público de saúde, ela significa aumento de internações, gastos extras e maior complexidade no tratamento de doenças. Pacientes que se automedicam frequentemente chegam aos hospitais com quadros agravados ou efeitos colaterais que poderiam ser evitados. Além disso, a resistência bacteriana provocada pelo uso inadequado de antibióticos torna os tratamentos mais caros e prolongados, sobrecarregando ainda mais o SUS. Esse cenário evidencia a urgência de políticas públicas de controle da venda de medicamentos e de campanhas de educação em saúde que informem a população sobre os riscos da automedicação. Dessa forma, a automedicação no Brasil configura um problema de saúde pública que precisa ser combatido. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde e à Anvisa reforçar a fiscalização sobre a venda de remédios e realizar campanhas educativas que orientem a população sobre os riscos dessa prática, além de ampliar o acesso a atendimento médico. Assim, será possível reduzir os danos da automedicação e proteger a saúde coletiva.