A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública
Enviada em 25/11/2025
A automedicação é um hábito comum entre os brasileiros e representa um desafio crescente para a saúde pública. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está entre os países que mais utilizam medicamentos sem prescrição médica, especialmente analgésicos e antibióticos. Esse comportamento reflete uma cultura de solução rápida para sintomas, reforçada pela fácil compra de remédios e pela influência de propagandas publicitárias. Como alertava o médico sanitarista Oswaldo Cruz, a saúde pública exige ações preventivas, e não medidas improvisadas que mascaram o problema.
Essa prática se torna ainda mais preocupante quando envolve o uso indiscriminado de antibióticos, que contribui para a resistência bacteriana. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) já alerta que o consumo inadequado pode tornar infecções comuns difíceis de tratar, causando internações prolongadas e aumento de custos médicos. Além disso, muitos medicamentos vendidos sem controle podem causar intoxicações, reações alérgicas e danos ao fígado e aos rins, impactando negativamente o Sistema Único de Saúde (SUS), que precisa atender complicações que poderiam ser evitadas.
Outro fator que agrava essa realidade é a desinformação. O acesso à internet, embora positivo, tem estimulado diagnósticos leigos baseados em buscas rápidas, fazendo com que parte da população confie mais em sites e vídeos do que em profissionais qualificados. Segundo a filósofa Hannah Arendt, a perda de confiança nas instituições gera crises sociais, o que se aplica à saúde quando a população ignora o saber médico e assume riscos sem entender as consequências. Assim, o problema vai além do remédio: trata-se de uma crise de confiança e educação sanitária.
Portanto, para diminuir os impactos da automedicação no Brasil, é necessário fortalecer campanhas educativas e fiscalizar a venda de medicamentos nas farmácias. Além disso, é essencial ampliar o acesso a consultas no SUS e incentivar a orientação profissional antes do uso de remédios. Assim, será possível reduzir riscos à saúde coletiva e formar uma população mais consciente e responsável com o próprio cuidado.