A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 03/06/2026

No cenário brasileiro, a máxima “de médico e louco todo mundo tem um pouco” traduz-se no preocupante hábito da automedicação. Estimulada pelo alívio imediato e pela facilidade de acesso, essa prática reflete um problema estrutural profundo. Longe de ser apenas uma escolha individual, o uso de remédios por conta própria no Brasil é um sintoma de lacunas na saúde pública e um desafio urgente que coloca vidas em risco diariamente.

Em primeiro lugar, é preciso olhar para as histórias por trás dos números. Por trás de cada comprimido tomado sem prescrição, há uma mãe exausta tentando passar o dia sem dor para trabalhar ou um idoso que aguarda há meses por uma consulta. A dor e a pressa humanizam essa busca, mas a falta de informação transforma o cuidado em perigo. A farmácia, muitas vezes, deixa de ser um estabelecimento de saúde e passa a funcionar como um balcão de conveniência.

As consequências para a saúde pública são alarmantes. O uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar sintomas de doenças graves, retardando diagnósticos e agravando quadros clínicos. Além disso, há o gravíssimo problema da resistência bacteriana — impulsionada pelo uso incorreto de antibióticos —, que ameaça tratamentos globais. Intoxicações e reações adversas também inflam as estatísticas dos hospitais, provando que o remédio, sem orientação, torna-se veneno.

Portanto, faz-se necessária uma ação conjunta entre o Estado e a sociedade. O Ministério da Saúde, junto à Anvisa, deve intensificar a fiscalização e promover campanhas humanizadas de conscientização que expliquem os riscos de forma clara. Paralelamente, o Governo Federal deve investir na eficiência do SUS, reduzindo a espera por consultas para que o cidadão não veja na automedicação sua única alternativa. Só assim, com acolhimento, haverá cuidado seguro.