A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 03/06/2026

Na obra “O Alienista”, Machado de Assis, a busca pela cura de supostos problemas mentais leva a intervenções médicas erradas e ao caos social. Fora da ficção, a automedicação no Brasil contemporâneo reflete uma problemática, na qual a população assume o controle de diagnósticos e terapêuticas sem orientação profissional. Essa prática perigosa ocorre não apenas da facilidade de acesso a compostos farmacológicos, mas também da sobrecarga crônica do sistema público de saúde. Desse modo, torna-se indispensavel analisar os riscos à saúde coletiva e a negligência estatal como pilares desse cenário crítico.

Em primeiro lugar, é importante destacar que tomar remédios por conta própria traz sérios riscos para a saúde. De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), os medicamentos são os principais causadores de intoxicação em seres humanos no Brasil, ficando à frente até mesmo de venenos de plantas e produtos de limpeza. Alem disso, o uso errado de antibióticos faz com que as bactérias fiquem mais fortes criando “superbactérias” que não morrem com os tratamentos comuns. Dessa forma, o custume de tomar remédios sem receita prejudica a saúde de todos e atrapalha a medicina no país.

Alem disso, a demora e os problemas no atendimento do governo ajudam a aumentar a automedicação. Segundo umas pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF), cerca de 77% dos brasileiros dizem que têm o hábito de tomar remédios por conta própria, usando como principais motivos a dor de cabeça e os sintomas de gripe. Como o Sistema Único de Saúde (SUS) costuma ter filas longas e demora para marcar consultas, muitas pessoas preferem ir direto à farmácia para resolver o problema rapido. Essa pressa, junto com a propaganda de remédios e a falta de fiscalização nas vendas, faz com que a farmácia vire um substituto improvisado do médico.