A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 30/08/2026

Na canção “Merry go round”, do grupo sul-coreano BTS, evidencia-se o desejo de afastar-se da dor e alcançar uma condição de alívio. Para além da composição lírica, é perceptível esse cenário no Brasil contemporâneo, no qual a automedicação é buscada pelos brasileiros como forma de atenuar dores e outros sintomas. Entretanto, essa prática evidencia não só a busca por soluções imediatas, mas também a insuficiência de medidas públicas de conscientização acerca dos riscos do uso indiscriminado de medicamentos. Dessa forma, deve-se analisar as causas da problemática e as suas consequências para a saúde pública no Brasil.

Em analogia à música, é possível observar que a menção a um brinquedo que gira continuamente simboliza a sensação de estar preso a um ciclo difícil de escapar. Dessa forma, uma parcela da população brasileira recorre à automedicação diante de sintomas e enfermidades, sem orientação médica, evidenciando a procura por soluções imediatas na sociedade moderna. Assim, tal aspecto pode ser compreendido pelo conceito de “modernidade líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman, que evidencia a necessidade humana de respostas rápidas, o que explica a naturalização da automedicação e, com isso, a perpetuação do ciclo.

Nesse viés, as consequências estão intimamente relacionadas à qualidade da saúde pública e à negligência estatal, no que tange à insuficiência de ações governamentais voltadas à conscientização da população sobre os cuidados com a saúde no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso racional de fármacos pressupõe a prescrição de um profissional da área e a utilização adequada das quantidades receitadas pelo médico. Entretanto, a automedicação contraria essa lógica ao possibilitar o consumo de substâncias sem uma avaliação médica, o que pode comprometer a saúde dos indivíduos e ampliar demandas sobre o sistema do governo brasileiro.

Por conseguinte, é imprescindível que o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, promova campanhas em hospitais por todo o Brasil, ao ampliar o acesso gratuito à saúde em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS). Logo, será possível reduzir a automedicação ao orientar a população sobre a importância da avaliação profissional antes do uso de medicamentos.