A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 06/07/2024

No ano de 2024, o termo “cabeça de Ozempic” ganhou popularidade nas redes sociais, se referindo ao uso do medicamento “Ozempic” que, embora indicado para tratar diabetes tipo 2, tem como efeito colateral a perda de peso, o que levou diversas pessoas a fazerem uso do remédio para fins estéticos. Dessa forma, tal conduta de automedicação tem sido recorrente no Brasil, sendo incentivada por terceiros e trazendo sérios riscos à saúde pública.

Em primeiro plano, cabe destacar que a automedicação é, por vezes, ocasionada por recomendações de outras pessoas. Segundo uma pesquisa Datafolha de 2021, 1 em cada 4 brasileiros utilizaram medicamentos como a hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19, após o medicamento ser indicado, sem qualquer respaldo científico, pelo então presidente Jair Bolsonaro. Sendo assim, é preciso educar o povo para discernir as informações confiáveis das duvidosas, pois, de acordo com os iluministas Diderot e D’Alembert, a democratização da educação é fundamental no combate à alienação dos cidadãos.

Além disso, deve-se ressaltar os perigos à saúde como uma das consequências de automedicar. Desse modo, um dos principais fatores para o risco é que a automedicação trata diretamente dos sintomas, e não da causa real do problema. Por exemplo, um medicamento como Rivotril, que deveria ser usado para transtorno de ansiedade, comumente é empregue para tratar o sintoma de insônia, que nem sempre é causado pela ansiedade. Ademais, conforme a professora Patrícia Mastroianni, do Departamento de Fármacos da Universidade Estadual de São Paulo, a falta de uso terapêutico aumenta o risco de dependência.

Portanto, medidas devem ser tomadas para mudar o status quo. Por meio de palestras apresentadas por agentes de saúde e divulgação do tema em redes sociais, o Ministério da Educação deve, juntamente ao Ministério da Saúde, promover campanhas de conscientização nas escolas e veículos de mídia, que alertem para a importância de recorrer à opinião médica e estimulem o pensamento crítico dos indivíduos. Com isso, espera-se que a população se torne consciente acerca de questões de saúde, evitando fenômenos como o “cabeça de Ozempic”.