A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 05/07/2024

O personagem Bojack Horseman, da série de mesmo título, exibida pela plataforma Netflix, fez uma automedicação para tentar melhorar seus sintomas de depressão, o que culminou na piora do seu quadro de saúde. Esse cenário representa o perigo ao qual o Brasil está sujeito, com a diferença de que suas consequências mais relevantes são o risco de alergia grave aos pacientes que se automedicam, assim como no óbito de bebês durante a gestação.

Em primeira instância, a particulariedade do organismo humano torna improvável a previsão de possíveis intolerâncias. Nesse sentido, a biologia explica que os anticorpos que possuímos em nossos corpos nos protegem de substâncias estranhas. Por isso, quando essa proteína de defesa não consegue assimilar a substância química dos medicamentos, ela desencadeia uma reação alérgica, que, segundo o jornal Folha de São Paulo é a terceira causa de internação nos hospitais, o que evidencia seu perigo eminente. Logo, políticas públicas que impeçam a automedicação são favoráveis ao contorno dessa situação potencialmente fatal.

Ademais, vale ressaltar a especificidade da atuação dos fármacos nas mulheres grávidas. Dito isso, observamos o exemplo dos ansiolíticos, que devem ser receitados ou proibídos pelos obstetras dependendo das condições de saúde da gestante, pois, de acordo com dados do Jornal da USP (Universidade de São Paulo), esses remédios podem causar malformações congênitas que propiciam o aborto dos fetos em casos mais graves. Por sua vez, é essencial que o governo realize medidas que transmitam essa informação crucial aos seus habitantes.

Portanto, é dever do Poder Legislativo, a partir de alteração normativa, aumentar o preço das drogas lícitas abordadas, com o objetivo de evitar a automedicação, em que a finalidade seja a de obrigar a população a se dirigir para postos de saúde e hospitais para receber o diagnóstico e orientações dos profissionais, desse modo impedindo a ocorrência de alergias. Além disso, é responsabilidade do Estado, por meio de verba pública, realizar campanhas sobre o uso indevido dos químicos em questão durante a gestação, com o intuito de divulgar informações sobre o tema à sociedade, a fim de impedir a interrupção da gravidez devido à ausência de conhecimento, o que possibilitará na melhoria da saúde da população.