A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública
Enviada em 10/07/2024
No contexto da pandemia do Covid-19 se popularizou a crença de que certos remédios poderiam ser utilizados para combater o vírus, sem que houvesse ne-nhuma comprovação científica. Entretanto, o problema da automedicação no Brasil já é antigo, e suas consequências para a saúde pública não são discutidas o sufici-ente. Nesse contexto, é possível citar duas delas: o aumento da resistência das bactérias e os seus possíveis efeitos colaterais.
Deve-se destacar, primeiramente, que o uso desregrado de medicamentos im-plica na necessidade de doses cada vez mais altas. No livro “O Princípe Cruel”, a personagem Jude Duarte consome pequenas quantidades de veneno diariamente, e após um tempo cria resistência ao mesmo. De forma análoga, isso acontece com os patógenos, fazendo com que os remédios percam sua eficácia. Logo, utilizá-los sem acompanhamento médico vai acarretar no agravamento do problema.
Além disso, a chance de ocorrer reações adversas também deve ser levada em consideração. Sob essa pespectiva, o médico e filósofo Paracelso afirma que a dife-rença entre o remédio e o veneno está apenas na dose. Ou seja, mesmo que o objetivo do produto seja aliviar algum sintoma, em quantias erradas ele pode gerar efeitos inesperados. Com isso, a automedicação tem altas chances de agravar o quadro que o indivíduo deseja combater.
Portanto, a utilização de medicamentos sem acompanhamento profissional é um problema de saúde pública, e necessita de intervenção. Por isso, cabe ao Minis-tério da Saúde promover campanhas que conscientizem a população acerca dos malefícios do uso não controlado de remédios. Por meio de propagandas televisi-vas, com o auxílio da mídia, e cartazes nos estabelecimentos que realizam essas vendas. Assim, será possível diminuir o descontrole no consumo desses “venenos”.