A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública
Enviada em 12/07/2024
Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nesse sentido, a supressão do meio físico mediante dominação tecnológica, em contraposto a ascensão das mídias de comunicação com um Quarto Poder, refletiu em um recorrente e alarmante hábito de automedição. Dessa forma, destaca-se um complexo dilema que coloca em risco a saúde da população brasileira.
Sobe esse viés, cabe considerar o estigma fruto da lógica contemporânea. Isso posto, o momento atual é dominado pela da Geração Z, nascidos entre 1990 e 2010, grupo que usufrui do pleno acesso à internet desde o nascimento. Essa possibilidade permitiu a conexão do usuário a informações, pessoas e eventos de forma quase instantânea. Contudo, em reflexo ao caráter frenético dessa troca, os conhecimentos são adquiridos de forma supérflua, destacando em relação ao uso de remédios sem prescrição médica. Assim, a automedicação é reduzida a mesma abordagem utilizada em rede, ou seja, uma postura rasa, inconstante e volátil.
Ademais, deve-se considerar o impacto da manipulação em massa. Em 2016, Oxford elegeu “pós-verdade” como a palavra do ano, esse termo se refere as circunstâncias nas quais fatos objetivos tem menos impacto em moldar a opinião pública comparada a crenças pessoais. Nesse contexto, as notícias falsas têm forte poder de persuasão de ideologias particulares, tal como durante o período da pandemia da Covid 19, em que figuras políticas defendiam o uso da cloroquina, medicamento comprovado ineficaz no combate dessa doença. Logo, destaca-se que visões individuais colocam em risco a segurança coletiva.
Torna-se evidente, portanto, que a automedicação apresenta entraves que devem ser revertidos. Machado de Assis escreveu que “o menino é o pai do homem”, em que o autor defende que os valores introduzidos na infância moldam a índole do adulto. Nessa perspectiva, o MEC, órgão responsável pela gestão de um aparato educacional de qualidade, deve introduzir na matriz escolar, desde os anos iniciais, atividades e dinâmicas que, por meio do apoio de agentes da saúde e equipe escolar, promovam o uso crítico da internet, sobretudo em relação ao uso de medicamentos sem prescrição. Destarte, visando a desenvolver uma mentalidade responsável e,a longo o prazo, o fim desse perigoso hábito cultural.