A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 16/07/2024

O filósofo Thomas More, em sua obra “Utopia”, apresenta uma sociedade perfeita, a qual é livre de mazelas socias. No entanto, ao se analisar a conjuntura brasileira, vê-se uma oposição ao tema, já que a questão da automedicação e suas consequências para a saúde pública compromete a harmonia coletiva nacional. Diante disso, têm-se um problema fomentado não só pela negligência governamental, mas também o descaso com a educação.

Neste contexto, a postura estatal negligente possui íntima relação com o revés. Sob esse viés, segundo o filósofo Friedrich Hegel, o Estado tem o dever de proteger os seus habitantes. Entretanto, como o Estado não cumpre seu papel de promover saúde publica e com a precarização do SUS, a falta de médicos e as longas filas para a marcação de exames, as pessoas recorrem a prática da automedicação para tentar “driblar” as doenças. Conforme dados do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o mercado farmacêutico, quase 70% dos brasileiros já fez uso de algum tipo de medicação sem a prescrição de um profissional da saúde. O que pode trazer varias consequências, como o da resistência bacteriana.

Outrossim, destaca-se o descaso educacional como mais um desafio a ser combatido. Nesse sentido, consoante o pensamento de Nelson Mandela, de que apenas a educação é capaz de mudar o mundo, expõe que esse conceito encontra-se deturpado no país, à medida que os investimentos destinados à educação só decrescem. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018 a 2022, os investimentos destinados à educação caíram de 1,6% para 1,3% do PIB. Sem investimento na educação básica para que as crianças cresçam com consciencia do seu papel como cidadão, e ciente do seus direitos, para cobrar melhorias na saúde pública, não haverá melhoras para este quadro.

Portanto, é fundamental a ação governamental para resolver o problema da automedicação no Brasil. O governo federal, responsável por administrar o povo e os recursos públicos, deve, em parceria com Ministério da Educação, promover, nas escolas de ensino fundamental e médio, ciclos de palestras, entre alunos, professores e profissionais da saúde, que informem e conscientizem sobre o uso de medicação. Só através da educação, teremos o problema amenizado.