A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 16/07/2024

Djamila Ribeiro afirma que para solucionar uma situação, é necessário tirá-la da invisibilidade. Na realidade brasileira, a crítica da autora é verificada na automedicação, problema que reside no desconhecimento acerca dos efeitos dessa prática, vitimando boa parte da população. Com isso, emerge um grave obstáculo em virtude da omissão governamental e da lacuna familiar.

Em primeira análise, ressalta-se a negligência do governo como um fator do problema. Bauman defende que “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. No entanto, não é verificado uma reação interventiva acerca da automedicação, visto que o Estado se encontra inerte perante a persistência do contexto. Isso gera, por vezes, a perpetuação da problemática, consequenciando em um gasto excessivo para o tratamento de indivíduos enfermos decorrente da utilização de medicamentos sem amparo médico. Logo, é necessário que a administração pública atue sobre o caso.

Além disso, outro fator agravante é a lacuna familiar. Mário Sérgio Cartella afirma que “educar é papel da família”. Tal premissa se verifica na postura familiar diante do contexto, já que, por vezes, ela -sem conhecimento técnico- é responsável pela medicação do parente. Diante disso, é possível que haja agravo à saúde do indivíduo, por meio do desenvolvimento de dependências e até de interações medicamentosas com outros fármacos, gerando a perpetuação do problema. Dessa maneira, é necessário tornar a base familiar como agente combatente do problema.

Portanto, é indispensável intervir sobre esse cenário. Para isso, o Estado deve criar políticas públicas, por meio da consulta à comunidade e especialistas na área, a fim de reverter sua omissão governamental. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas redes sociais oficiais do governo, a fim de ampliar seu alcance à população. Paralelamente, é preciso agir sobre a lacuna familiar que ainda persiste na sociedade. Dessa maneira, será possível superar a invisibilidade de que Djamila Ribeiro falou.