A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública
Enviada em 24/07/2024
Em 1904, uma campanha de vacinação contra a varíola foi aprovada no Rio de Janeiro. Mesmo que o objetivo fosse “sanitizar” a então capital do Brasil, o medo desencadeado por falsas informações resultou em uma revolta popular.
Analogamente, no Brasil atual, as “fake news” e a crescente precarização do Sistema Único de Saúde (SUS), colocam em risco a saúde pública, tal qual a Revolta da Vacina fez.
Em primeira análise, é importante destacar que, apesar de parecer inofencivo, disseminar informações fraudulentas pode prejudicar diversas áreas, como a saúde pública. Na pandemia da Covid-19, que aconteceu entre 2020 e 2023, o ex-presidente da república Jair Messias Bolsonaro incentivou o uso da cloroquina e um coquetel de remédios, mesmo que eles não tivessem eficácia comprovada contra o vírus. O poder de influência do antigo presidente levou muitos cidadãos a utilizar esses medicamentos, atrasando o combate ao coronavírus. Sendo assim, urge a necessidade de perceber o perigo que as falsas informações representam na área da saúde.
Em segunda análise, o processo da perda de qualidade do SUS também pode levar a automedicação. Segundo a constituição de 1988, a saúde é direito de todos e dever do estado. Entretanto, garantir essa lei se torna um desafio por conta da má administração interna e pela falta de investimentos financeiros presentes no SUS, o que prejudica o acesso a esse serviço ao gerar um atendimento demorado em um ambiente precário. Por consequência, as camadas mais pobres da população, que não possuem a renda necessaria para pagar por uma consulta particular, buscam a automedicação como uma alternativa.
Portanto, a manipulação de remédios sem acompanhamento médico pode ser provocada pela falta de um bom serviço de saúde pública e pela desinformação. Por isso, para combater tal problema é essencial que o governo se encarregue de reformar a atual estrutura do SUS, investiindo financeiramente, e que campanhas públicas sejam promovidas por órgãos de saúde, através de cartazes, palestras em escolas ou publicações em mídias sociais. Dessa forma, o Brasil poderá caminhar em direção a uma saúde pública de maior qualidade para toda a população.