A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 26/07/2024

A Revolução Industrial foi o marco histórico para o surgimento de novas tecnologias capazes de modificar o modelo de produção mercadológica. Atrelada à ela, ocorreu um desenvolvimento significativo em diversos setores, dentre eles, a Indústria Farmacêutica. Entretanto, tais avanços se deram de forma desenfreada, acentuados pelo Capitalismo e pela Era Digital, trazendo como consequência a automedicação excessiva na sociedade.

De acordo com o sistema econômico vigente, o valor do indivíduo é mensurado pela sua capacidade produtiva. Conforme o sociólogo Émile Durkheim, a participação da pessoa enquanto sociedade está diretamente ligada à sua função. Com isso, em busca de uma melhor performance perante um contexto que enaltece o trabalho à qualquer custo, a população, cada vez mais, faz uso de substâncias de forma irresponsável ou, até mesmo, independente.

Além disso, a modernidade líquida, como diz Bauman, marcada pelo uso desenfreado das redes sociais com acesso ilimitado a informações, muitas vezes, errôneas ou generalistas, acabam por contribuir no autodiagnóstico. Isso faz com que as pessoas percam a referência de profissionais da saúde realmente capacitados a entenderem o melhor tratamento sobre sua condição.

Concluí-se que a medicalização excessiva na sociedade brasileira é fruto de um crescimento tecnológico desenfreado, associado a interesses mercadológicos e da Indústria Farmacêutica. Com isso, é necessário que o Governo Federal atue em conjunto ao Ministério da Saúde para fiscalizar e limitar informações sobre medicações e condições de saúde divulgadas em rede e que o Ministério do Trabalho esteja atento às condições as quais os trabalhadores estão submetidos, a fim de evitar consequências de uma produtividade desenfreada, como a automedicação e adoecimento.