A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 02/08/2024

No livro “A Hora da Estrela”, Clarice Lispector retrata as dificuldades de Macabéa, uma jovem nordestina que usa aspirina para suprimir uma dor inexplicável. Embora tenha sido escrito na década de 70, a situação ainda reflete a realidade brasileira, uma vez que a busca por alívio imediato por meio da automedicação continua a trazer graves consequências para a saúde. Diante disso, é crucial discutir os principais desafios desse problema no país, tais como: o fácil acesso a fármacos e a falta de orientação profissional.

Em primeiro plano, a obtenção de remédios sem prescrição médica é uma questão crítica no Brasil, refletindo um problema histórico. Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis faz uma crítica a pseudociência e a venda indiscriminada de medicamentos, na figura do emplasto de Brás Cubas, um suposto elixir capaz de curar todos os males. Assim como o emplasto, muitos fármacos hoje são comprados e consumidos sem orientação adequada, o que pode levar a riscos significativos à saúde, incluindo a morte.

Além disso, a falta de acesso à informação adequada dificulta a superação desse desafio. Como destacou Eduardo Galeano, “a primeira condição para mudar uma realidade consiste em conhecê-la”. Logo, a escassez de informações sobre o os riscos da automedicação evidencia a necessidade urgente de uma educação mais eficaz e acessível. Entretanto a dificuldade de acesso ao sistema de saúde agrava ainda mais o problema, criando um ciclo vicioso em que a automedicação se torna uma solução fácil devido à falta de atendimento profissional adequado.

Portanto, diante de um presente que já vive um dilema duradouro, é urgente imaginar um futuro diferente e superar os desafios da automedicação no país. Assim sendo, é papel da Anvisa criar regulamentações mais rígidas para a venda de medicamentos atualmente comercializados sem prescrição médica, dificultando o acesso irrestrito aos fármacos. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Federal de Farmacologia, promover campanhas de conscientização com profissionais qualificados para diminuir a falta de informação e superar os desafios da automedicação. Dessa forma, será possível alcançar uma realidade mais distante da vivida por Macabéa, em “A Hora da Estrela”.