A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública
Enviada em 02/08/2024
Historicamente, os remédios foram sinônimos de saúde e progresso de uma so-ciedade. No entanto, com o advento da indústria moderna, o acesso facilitado aos fármacos tornou-se um problema por si só, em especial após a descoberta dos an-tibióticos. Nesse sentido, faz-se necessário debater, sob dois pontos principais, o problema da automedicação no Brasil e suas consequências para a saúde pública: os efeitos diretos dos medicamentos no corpo e o surgimento de superbactérias.
Em primeira análise, é imperioso ressaltar a ausência de medidas governamen-tais para combater o uso indiscriminado de substâncias controladas. Segundo lista comparativa disponibilizada pela Organização Mundial da Saúde, diversos princípi-os ativos, como a dipirona, são proibidos ou limitados por vários países, mas são de venda liberada no Brasil. Como consequência dessa negligência, boa parte da população recorre à automedicação, haja vista o livre acesso à mercadoria, causan-do danos imprevisíveis ao próprio corpo. Dessa forma, resta claro que as autorida-des precisam, com urgência, rever seu posicionamento diante do tema.
Outrossim, é crucial explorar o efeito da resistência acumulada de microorga-nismos aos fármacos. De acordo com dados fornecidos pela Organização Mundial da Saúde, o Brasil possui índices de infecção hospitalar muito superiores à média dos países desenvolvidos. Diante desse fato, é sabido que muitas dessas infecções são provocadas pelas chamadas superbactérias, que são organismos imunes aos medicamentos comumente utilizados, em virtude do abuso indevido das substân-cias. Destarte, o surgimento de superbactérias em decorrência do mau uso, bem como o dano direto ao corpo - fígado, rins e coração - constituem os flagelos da automedicação no Brasil.
Portanto, o uso indiscriminado de remédios constitui um problema de saúde pública. Assim, o Ministério da Saúde deve criar, mediante verbas governamentais, um comitê permanente de vigilância para medicamentos controlados. Tal órgão pode ser constituído por médicos e gestores públicos, com atuação nas grandes ci-dades e no interior do país, de modo a fiscalizar e conscientizar a população acerca dos riscos da automedicação. Dessa forma, garantir-se-á o uso dos fármacos con-forme foram projetados: salvar vidas.