A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 04/09/2024

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o direito à saúde se estende a todos os cidadãos brasileiros. Assim, é dever do Estado garantir o bem-estar físico e mental da população por meio do acesso ao tratamento médico-hospitalar de qualidade. Porém, na prática, esse direito não tem sido exercido por todos, de modo que muitas pessoas, devido às péssimas infraestruturas dos hospitais e à demora para conseguir uma simples consulta médica, têm recorrido à automedicação.

Em primeiro lugar, desde o surgimento do movimento Iluminista, no século XVIII, o Estado passou a ter a função de zelador do bem-estar de sua população, sendo obrigado a tomar medidas que orientem a sociedade no sentido de tomar melhores decisões. Assim sendo, surgiu a noção do dever estatal de garantir a saúde da população. Em contraposição, no contexto nacional, o Estado falha em oferecer o mínimo para assegurar ao seu povo uma saúde de qualidade, como hospitais bem estruturados e médicos comprometidos com a saúde de seus pacientes. Em consequência disso, as pessoas preferem recorrer à prática da automedicação, pois, ao perceber a negligência com que são tratados, acham mais rápido e pragmático comprar a medicação e tomar por conta própria.

Outrossim, segundo dados da Organização das Nações Unidas, a classe política brasileira é altamente corrupta. Dessa forma, no Brasil, o exercício da política é feito visando apenas os próprios interesses. Como consequência, os investimentos em saúde pública são desviados para outras finalidades que atendam ao interesse particular dos políticos. Em adição, mais uma vez, a população é oprimida e sente-

-se forçada a procurar profissionais não habilitados para oferecer-lhe tratamentos, ao invés de recorrer a um hospital do SUS, pois esse não tem estrutura.

Portanto, o Poder Público deve, por meio do Congresso Nacional, elaborar leis que punam a corrupção política e investir em hospitais e em profissionais da saúde qualificados que deem tratamento humanizado à população, objetivando, assim, incentivar a busca por saúde em hospitais. Deste modo, evitar-se-á que ela recorra aos profissionais não habilitados, como farmacêuticos e curandeiros.