A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 12/09/2024

O personagem fictício “Bojack Horseman” é caracterizado pela falta de autocuidado e autopreservação e práticas extremamente degradantes a seu corpo, como alcoolismo e vício em cigarro. Analogamente, muitos brasileiros praticam a automedicação, que pode acarretar consequências nefastas ao corpo. Tal revés decorre de uma mentalidade popular instransigente e da omissão estatal.

Nesse sentido, é notório que o brasileiro médio carece do entendimento de que o conhecimento específico sobre remédios e seus efeitos exige uma expressiva carga de estudo. Acerca disso, Paulo Freire afirma que a autonomia intelectual e entendimento das nuâncias da realidade que a pessoa vive decorre de um processo de formação que inclui a explicação das idiossincrasias do corpo social. Entretanto, a educação brasileira carece de disciplinas que explicitem o processo de pesquisa científica e formação acadêmica, que origina um sistema baseado na troca de serviços de qualificação específica e se baseia na boa-fé. Assim, como Carl Sagan afirma em “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, as pessoas continuam a reproduzir ideias e comportamentos que podem ser maléficos ao corpo social.

Ademais, a falta de ação estatal influi na perpetuação do problema. Referente a isso, Michel Focault afirma que é papel do Estado assegurar o bem-estar de todos os cidadãos. Todavia, a premissa do filósofo contemporâneo não se concretiza na prática uma vez que o poder público carece de iniciativas que combatam de forma eficiente a prática de automedicação, que, de acordo com a BBC Brasil, pode acarretar no desenvolvimento de diferentes patologias, na evolução de bactérias resistentes ou superbactérias e até mesmo no surgimento de doenças mentais, como depressão e ansiedade. Desse modo, o combate uma prática comum que pode acarretar em consequências nefastas continua a ser negligenciado.

Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, a realização de palestras sobre o risco da automedicação em escolas. Tal medida deve contar com a participação de médicos de destaque, bem como de cientistas de diversas áreas, que instruam e flexibilizem a mentalidade dos alunos. Dessa forma, a automedicação será aos poucos combatida e adultos engajados serão formados.