A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública
Enviada em 29/09/2024
A nova definição de saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um bem estar físico e mental, não se tratando apenas de uma ausência de doença. Nesse sentido, o aumento da automedicação no Brasil faz-se nocivo à saúde pública brasileira — qualitativamente esgotam-se os estoques de medicamentos e superlotam-se os postos de saúde, e ideologicamente, desenha-se uma marca de desdenho, não apenas para com o médico, mas também à comunidade científica.
Diante disso, o cenário caótico, seja ele nas Farmácias Centrais ou nos postos e Unidades Básicas de Saúde (UBS), deve-se tanto ao uso dos fármacos para tratamento, quanto ao uso recreativo, proeminente de uma epidemia farmacológica estadunidense. Em fevereiro do ano passado, a Polícia Civil do Espírito Santo realizou a primeira apreensão de frascos de fentanil — opioide cem vezes mais forte que a heroína — em solo nacional. A substância é a droga que mais mata nos Estados Unidos. No entanto, quem não consegue a medicação pelo tráfico, acaba dirigindo-se a consultas estratégicas para adquiri-la.
Além do uso recreacional, e principalmente em virtude do fácil acesso aos medicamentos não tarjados, o uso destes sem prescrição médica infere à sociedade um silencioso desprezo à ciência. Durante a pandemia de covid-19, o povo brasileiro assistiu ao seu presidente, além de negar-se a realizar a vacina, recomendar o uso — não comprovado cientificamente — de vermífugos no tratamento da enfermidade. Dessa forma, e somado ao descumprimento de qualquer posologia proposta por um doutor, a medicação por conta própria corrobora para a infundada descredibilização do saber científico.
Portanto, com o objetivo de combater a inadequada serventia das farmácias coletivas e dos CAIS, e reduzir a inconfiabilidade popular na medicina, o Ministério da Saúde deve reorganizar o sistema de tarjas, bem como o rigor médico em consultas por meio, respectivamente da, revisão de políticas públicas e suas leis, e em formações periódicas, com especialistas, propostas aos clínicos do país. Assim, a saúde dos brasileiros poderá aproximar-se dos padrões definidos pela OMS.