A automedicação no Brasil e suas consequências para saúde pública

Enviada em 01/11/2024

Em 1928, o médico Alexander Fleming descobriu o antibiótico penicilina, e seu sucesso foi tão grande que, durante a 2° Guerra Mundial, sua produção já era em escala industrial. Essa evolução medicamentosa tornou-se um paradigma, ori-entando esforços em busca de remédios mais eficazes e seguros. No entanto, ape-sar de toda a evolução da indústria farmacêutica, no Brasil, a prática de automedi-cação representa um impedimento a plena saúde da população. Diante desse pa-norama, cabe analisar a ineficácia governamental sobre a temática e o desconhe-cimento popular dos riscos da ingesta medicamentosa sem prescrição médica.

De início é imprescindível ressaltar a desassistência do Poder público como fa-tor agravante do uso irregular dos fármacos ao longo do país. Nesse contexto, a Constituição Federal de 1988 assegura a saúde como um direito base da sociedade brasileira, o que contrasta com a realidade. Visto que, há dificuldades no acesso do povo a consultas com profissionais de saúde, a população, em momentos de enfer-midade, pode delegar este auxílio a um familiar ou amigo. Esta ação visa então, um alívio para o seu sofrimento momentâneo. Logo, o Estado sendo o promotor do bem-estar da coletividade, como defende o filósofo americano John Raw, é incon-cebível relegar a automedicação popular a segundo plano.

Ademais, é preciso destacar o elevado desconhecimento dos indivíduos a res-peito dos perigos do uso dos remédios sem prescrição médica. Na linha desse ra-ciocínio, o Médico Dráuzio Varella explicou que, além de não revolver o problema, os medicamentos usados de forma irregular podem mascarar sintomas de uma doença mais grave, atrasando o seu correto diagnóstico. Portanto, corrigir o indevi-do fluxo supracitado não apenas segue os preceitos da Carta Magna, como tam-bém é essencial para garantir um sistema de saúde eficaz e seguro.

É indubitável, então, que ações concretas precisam ser adotadas para mitigar esse desafio. Em vista disso, o Governo federal - encarregado de promover o bem-estar social - deve ampliar a ofertada de vagas para consultas em postos de saúde, por meio da destinação de mais verbas para contratação de médicos. Tal medida tem o objetivo evitar o uso de medicamentos sem orientação profissional. Dessa forma, o Brasil estará perto de promover o bem-estar social citado por John Raw.