A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 24/06/2021

Com a disseminação da Internet, as pessoas passaram a obter um fácil acesso a informações acerca de doenças e seus sintomas. Esse fator, atrelado a buscas imediatistas de soluções pelos pais e à superficialidade da compreensão das pessoas acerca dos transtornos psicológicos desencadeia o quadro atual de banalização do uso de psicofármacos na infância. Entretanto, diante dos efeitos mentais e comportamentais da utilização, muitas vezes, desnecessária desses medicamentos, essa problemática, de caráter cultural e social, precisa ser combatida.

É importante pontuar, de início, o contexto cultural hodierno de impaciência e de buscas rápidas de soluções que leva ao uso excessivo de medicamentos pela sociedade, inclusive pelas crianças. Entretanto, esse grupo, por encontrar-se em formação, torna-se mais vulnerável aos efeitos do uso de medicamentos que atuam no sistema nervoso, visto que prejudica o desenvolvimento natural e saudável do indivíduo. Prova da importância da preservação dessa fase são os estudos de psicanálise desenvolvidos por Sigmund Freud, o qual defende a infância como fase fundamental na construção do indivíduo, na qual os traumas são guardados no inconsciente da pessoa e traçam a personalidade dela. Dessa forma, faz-se mister a preservação da saúde das crianças por meio do uso consciente desses psicofármacos, ou seja, apenas quando necessário.

Outrossim, vale ressaltar o pouco aprofundamento por parte dos pais na compreensão das dificuldades dos filhos como outro fator motivador do uso indiscriminado de medicamentos na infância. Com isso, muitas questões que poderiam ser resolvidas com diálogos e comunicação aberta passam a ser tratados, de forma até hipocondríaca, pelos pais como um transtorno do filho que demanda medicamento. Nesse sentido, falta maior entendimento dos responsáveis de que as dificuldades e a indisciplina dos filhos, muitas vezes, fazem parte do desenvolvimento do indivíduo na sociedade e da compreensão do mundo por eles.

É notória, portanto, a relevância de fatores de ordem cultural e social na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao Governo Federal, em parceria com a mídia, o papel de promover campanhas que informem os pais acerca dos impactos do uso desnecessário de psicofármacos pelas crianças a fim de combater a banalização desses medicamentos. Tal medida pode ser efetivada por meio de anúncios e propagandas nos principais meios de comunicação. Ademais, é fundamental que a sociedade passe a buscar soluções alternativas para as questões que os filhos apresentam, tais como terapia e diálogo. Poder-se-á, assim, promover um comportamento das pessoas em relação às crianças mais coerente com o pensamento de Freud.