A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 02/09/2021

Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago ressalta a responsabilidade de ter olhos quando todos os perderam.Sob essa ótica,nota-se uma espécie de cegueira social, intrincada na sociedade,a qual impedem os indivíduos de enxergarem problemas, como a banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Nesse sentido, a falta de conhecimento e a busca por soluções rápidas colaboram para essa problemática. Dessa forma, são relevantes discussões acerca dos impactos dessa vulgarização, em nome das crianças do público jovem.

A princípio, é patente pontuar a ligação entre a escassez de conhecimento e a questão em pauta.Nesse contexto, os versos de Drummond “No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho” ensejam uma reflexão: a pobreza de informação acerca do tema configura-se como uma pedra no caminho para solucionar a prescrição desenfreada de psicofármacos.Nesse viés, inúmeras pessoas acreditam que os medicamentos psiquiátricos são a única solução para combater os transtornos mentais, e não procuraram alternativas menos devastadoras para as crianças.Posto isso, os impactos desse problema tornam-se inevitáveis, como o excesso de medicamentos que afetam a saúde mental das crianças.

Outrossim, a busca por soluções imediatas está diretamente atrelada ao tema.Sob esse prisma, o psicanalista Antonio Quinet, em seu livro “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar.Nessa ótica, é perceptível um olhar negligente das famílias, as quais,mesmo com a ciência dos efeitos colaterais, procuram uma resposta urgente, o que põe em risco a saúde das crianças e adolescentes.Tal cenário, caracterizado por atitudes irresponsáveis, é visto pelos parentes como uma escapatória rápida e eficaz.Assim, surgem as consequências, como o agravamento dos transtornos psíquicos, como o déficit de atenção e a hiperatividade, segundo o médico Drauzio Varella.

Infere-se, portanto, que a carência de conhecimento e a busca por soluções quase imediatas acarretam na banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova seminários , mediante a palestras e “lives” nas mídias sociais, sobre a importância do conhecimento acercas de remédios psiquiátricos, com demonstrações sobre a dosagens e os efeitos colaterais, com o fito de preservar a saúde do público infantil.Desse modo, a sociedade poderá curar-se da “cegueira social” metaforizada por Saramago.