A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 25/06/2021

Por geralmente apresentar problemas com o desenvolvimento social, como nas escolas, ou até mesmo em âmbito familiar, como falta de disciplina, as crianças são sujeitas, desde muito novas a aplicação de medicamentos que procuram acalma-lás. No entanto, devido a dificuldade em identificar distúrbios que causam tais inquetações, pais e professores muitas vezes prescrevem de forma errônea medicamentos e laudos à crianças saudáveis e assim causam a banalização e a medicalização equivocada de doenças que o jovem pode ter. Nesse sentido, cabe analisar as causas, consequências e uma possível solução para esse impasse.

Em uma primeira análise, atualmente qualquer sinal de mal-estar pode ser diagnosticado como uma patologia cuja terapêutica será a administração de psicofármacos. Essa atitude afeta diretamente os mais jovens, pois esses  ao não saber reagir ao autoritarismo de seus responsáveis, estão diante a situações de riscos.  Nesse sentido, uma pesquisa feita pela a Universidade Estadual Paulista em Franca, aborda o caso de uma menina de 5 anos, que desde seu primeiro ano de vida já estava sujeita ao uso antidepressivos e  psicoestimulantes, o que afetou seu desenvolvimento e a capacidade neural de realizar atividades específicas. Atualmente, uma grande parcela de crianças encontram-se na mesma situação sem ao menos saberem.

Ademais, a banalização de doenças  graves dificultam a identificação de casos verídicos  e gera preconceito e estereótipos aos portadores desse distúrbio. Nesse contexto, é necessário uma investigação mais profunda em relação aos motivos que levam ao comportamento incomum de crianças além de que, a criação de estereótipos e os diagnósticos levianos a respeito da doença dificultam a relação do indivíduo com a sociedade pois, pode gerar preconceitos e exclusões sociais. Ademais, segundo a OMS- Organização Mundial da Saúde- o uso de Ritalina, medicamento utilizado no tratamento do TDAH, aumentou cerca de 775% nos últimos dez anos. Esse dado revela que, a medicalização errônea da doença tornou-se um comércio farmacêutico que expõe crianças saudáveis à riscos de saúde como, por exemplo, insônia, perda de apetite e problemas cardíacos.

Depreende-se, portanto a necessidade de combate a esses pontos. Para isso, é imprenscídivel  que o Ministério da Saúde em parceria com o Poder Executivo de cada estado brasileiro, invista na formação de profissionais de educação e de saúde especializados na identificação de patologias na infância. Ademais, torna-se necessário também um diário de observação comportamental nas escolas, afim de encaminhar alunos que apresentem comportamental incomuns sejam encaminhados para profissionais de saúde. Desse modo poderá caminhar para sanar a banalização de medicamentos na infância