A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 25/06/2021
Na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do pré-modernista Lima Barreto, o auto enfatiza, por meio do personagem principal, a visão de um Brasil sem defeitos. Em pleno século XXI, todavia, o país apresenta uma faceta contraditória do ideal, por conta da banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Desse modo, pode-se analisar a aceitação social e o descuido do poder público como causadores da problemática.
Em síntese, é legítimo postular que a aceitação social intensifca o problema. Nesse sentido, o conceito de banalidade do mal, desenvolvido pela socióloga Hannah Arendt, informa que quando um problema é bastante comum na socidade, passa a ser percebido como uma circunstância normal. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o execesso de remédios na infância aumentou 85%. Portanto, o aumento do consumo de rémedios pelas crianças tem que se tornar um incômodo na vida da população, haja visto que sem a mobilização social não haverá uma mudança nesse cenário e que, consequentemente, impede que tal problema seja resolvido.
Ademais, outro fator é a negligência do poder público. Dessarte, pode-se citar o Ministério da Saúde que prevê a diminuição da prescrição execessiva de remédios na infância, mas que, segundo uma pesquisa feita pela Folha de São Paulo, o consumo em excesso de remédios na infância continua a aumentar. Por consequência, fica evidente que as ações ( criar leis severas e apoiar campanhas comunitárias voltadas para esse viés) tomadas são insuficientes para erradicar o problema. Em suma, a falta de apoio do poder público representa um descaso, diante da situação que traz várias desvantagens para os consumidores, como por exemplo, a dependência física e psicológica, pois o Ministério não toma medidas eficazes.
Sendo assim, medidas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, em vista disso, que o Ministério crie campanhas de conscientização, por meio das redes sociais, mostrando fotos e vídeos de como combater a prescrição de psicorfármacos na infância, fazendo com que haja uma mobilização social. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país sem defeitos, da mesma maneira que disse Lima Barreto.