A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 27/06/2021

No livro ‘‘O Menino que Descobriu o Vento’’, um garoto, com apenas alguns livros, conseguiu salvar o seu vilarejo de uma grande crise de fome, deixando evidente a importância da educação. Nesse sentido, os psicofármacos, por viabilizar a aprendizagem de crianças com transtornos neurológicos, contribuem muito com a educação. No entanto, por conta não só da confusão entre questões comportamentais e questões neurais, como também da baixa qualidade do ensino brasileiro, está havendo um processo de banalização da prescrição desses medicamento durante a infância, propiciando inúmeros problemas.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a maioria das pessoas não consegue diferenciar problemas comportamentais de problemas neurológicos. Nesse contexto, inúmeras crianças são levadas para o consultório e -devido a inexistência de um exame laboratorial para doenças como TDAH e hiperatividade, somado com a falta de preparo de alguns médicos- acabam recebendo a prescriação inadequada de medicamentos. Sendo assim, além de não resolver os reais problemas da criança, esta acaba se tornando dependente de um medicamento que pode alterar suas emoções.

Ademais, pode-se dizer que os problemas educacionais brasileiros incentivam o abuso da prescrição de psicofármacos. Nesse cenário, enquanto Paulo Freire alfabetizava pessoas em poucas semanas, a escola leva anos e, muitas vezes, forma analfabetos funcionais, ou seja, os problemas da educação brasileira são nítidos, impedindo que diversos alunos consigam assimilar o conteúdo. Entretanto, estes acabam sendo culpabilizados por essas falhas no ensino, contribuindo com a busca de medicamentos que minimizam o efeito do suposto TDAH ou da suposta hiperatividade. Desse modo, fica claro que a ineficiência ecucacional do Brasil interfere diretamente no abuso infantil de  psicofármacos .

Em virtude dos fatos mencionados, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. Dessa forma, para que a banalização da prescrição de psicomedicamentos na infância diminua é fundamental que o Ministério da Saúde reformule, por meio de um projeto elaborado por psiquiatras, neurologistas, psicólogos e enfermeros, o método clínico usado para a prescrição de psicofármacos. Nesse âmbito, será exigido nas farmácias duas receitas de dois médicos diferentes para que o medicamento seja entregue, além disso -nos casos apropriados- o médico deve incentivar tratamentos sem uso de medicamentos, como a iniciação de terapia. Por fim, é preciso também que haja uma melhoria na educação brasileira.