A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 26/06/2021
A banalização da da prescrição de psicofármacos na infância pode acarretar em diversos problemas que podem se estender à maturidade e serem de difícil superação. A percepção de doenças mentais são de extrema importância para o tratamento precoce, porém, nos últimos anos houve uma inflação diagnóstica, traduzida como aumento exponencial de transtornos e sua medicação desenfreada, sem necessidade comprovada. A série o Gambito da Rainha exemplifica na prática as consequências do uso constante e dispensável de medicamentos durante os primeiros anos e na juventude.
Primeiramente, de acordo com dados do Conselho Federal de Psicologia, em 2000 houve a compra de 70 mil unidades de medicamentos para TDAH e hiperatividade, e em 2010 esse número subiu para 2 milhões, evidenciando um grande aumento no tratamento via fármacos de desordens de aprendizagem, que deveriam passar antes por tratamento terapêutico.
Ademais, a série de 2020, da Netflix, acompanha a jornada de vida de Elizabeth Harmon, uma prodígio enxadrista que permanece em um orfanato até os seus 16 anos de idade. Nele, são administrados tranquilizantes para ansiedade a todos os órfãos, resultando em sérias sequelas. A protagonista se torna dependente das pílulas, tendo alucinações e levando-a a roubar algumas na enfermaria e consumi-las de forma desenfreada. Seu vício é tamanho que carrega-o até à vida adulta, enfrentando problemas psicológicos e de relacionamentos.
Portanto, faz-se necessária a intervenção do Ministério da Saúde na fiscalização da compra e venda de psicofármacos com receita médica, bem como no processo de admissão e diagnóstico dos pacientes em clínicas psicológicas, exigindo primeiramente o tratamento terapêutico comportamental e somente em casos críticos o uso de remédios próprios. Dessa forma, será garantido o bem estar de crianças e jovens, tratados de forma coerente e sem consequências mais graves.