A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 26/06/2021

Segundo o sociólogo Emile Durkheim, “o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende.” Em consonância com a ideia do pensador, as crianças, hodiernamente, não possuem entendimento das consequências da banalização da prescrição de psicofármarcos durante a infância. Portanto, é necessário a tomada de medidas para sanar esse impasse, ocasionado pela negligência de uma parcela de médicos e, por conseguinte, cria potenciais sequelas duradouras na vida desses indivíduos.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a falta de zelo dos profissionais da saúde é a principal catalisadora do problema. Embora o Ministério da Saúde tenha o papel de ente regulatório da atuação dos médicos, é evidente que não consegue deter os terapeutas de receitarem remédios que não condizem com as necessidades dos pequenos pacientes. Dito isso, fica claro que a infância de milhares de pessoas com problemas escolares, sociais e físicos ficam à mercê da arbitrariedade médica quanto seus problemas individuais, o que causa, nos casos mais amenos, problemas solucionáveis a médio prazo e, em casos mais graves, efeitos vitalícios como depressão e ansiedade, devido ao uso indevido de remédios, como a Ritalina, em pacientes não diagnosticados com nenhum transtorno.

Em decorrência disso, as complicações neurológicas em casos mais graves agravam à possibilidade de diversos problemas psicossociais. Na série da Netflix, “Como Vender Drogas Online”, é retratado a vida de um adolescente que decide traficar psicofármacos para adolescentes em ambientes escolares, fato diretamente relacionado a casos da realidade. Dessa forma, é indubitável que os primeiros estímulos ao uso de drogas desde o período infantil se estende à juventude e traz consigo diversas características patológicas, como o vício, a depressão grave, a incapacidade de socializar em diversos meios, o baixo desempenho escolar e até tendências suicidas. Certamente, os dados fornecidos por pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indicam um aumento alarmante de suicídios entre jovens, se relaciona com o argumento supracitado.

Infere-se, portanto, que a desordem médica na prescrição de entorpecentes, como anfetaminas, nos pequenos membros da sociedade possui íntima relação com a prosperidade mental da população. Posto isso, cabe ao Ministério da Saúde, por meio do conciliamento com o Poder Legislativo e os entes regulatórios da medicina, criar e efetivar leis mais rigorosas em relação a distribuição desses medicamentos, para proteger a infância individual e coletiva das novas gerações tupiniquins. Assim, observar-se-ia uma sociedade alinhada com os preceitos idealizados por Durkheim e mais saudável.