A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 22/07/2021
Na série original da Netflix “O gambito da Rainha”, Beth Harmon é uma xadrezista que teve uma infância torduosa. Desde que perdeu sua mãe quando criança, a protogonista se tornou dependente química de calmantes oferecidos no orfanato, no qual, dentro do trama, são desmembrados conflitos e reações de dependência. Trazendo para a realidade, a prescrição de psicofármacos na infância ainda pode ser vulgarizada e generalizada, seja para aumentar o rendimento acadêmico da criança ou, seja para evitar um diagnóstico preciso.
A priori, é notório que crianças com comportamento hiperativo são marginalizadas no contexto escolar, e consequentemente levadas a diagnósticos equivocados, como TDAH. Com o aumento da venda de ritalina, noticiado pela UERJ, crianças são postas para psicofármacos sem analisar seus sintomas como um todo, anulando outros possíveis diagnósticos pela facilidade do tratamento de hiperatividade. Segundo o renomado cientista americano Bruce, o defícit de atenção não é considerado uma patologia, mas sim uma disfunção causada por outras origens. Partindo disso, vê-se que a prescrição de fármacos é só uma reação para não trabalhar o psicológico da criança, optando pelo curto caminho da medicação controlada e silenciando as reações e sentimentos da pessoa na sua fase mais delicada.
Além disso, a vulgarização da receita de psicofármacos são altamente influenciados pelos pais que vêem crianças que podem ter um rendimento maior em suas atividades. Medicamentos que atuam na área do cortex frontal, como ritalina e venvanse, conseguem organizar melhor informações captadas e otimizar sinapses, levando a um grande interesse por partes dos pais em otimizar os bons resultados. Exemplificado pelo Spin Off “Privacte Practice”, o médico pediatra Cooper atende uma família que burla os sentimentos e reações de uma criança em busca de remédios para a perfeição acadêmica do seu filho. Através disso, vê-se a necessidade da alteração do cenário vigente.
Partindo dos argumentos citados, vê-se que a banalização de psicofarmácos na infância é um grande problema na contemporaniedade. Portanto, através do Ministério da Educação, devem ser implatados uma grade de psicológos obrigatória em todas as escolas públicas de educação primária, oferecendo atendimento especializado e direcionado para todos os tipos de sintomas na fase da infância, para entender a situação da criança e saber do por que de suas agitações, antes mesmo de passar em um médico que o prescreva farmáco, nota-se a importância de entender o seu comportamento como um conjunto de ações, para que assim, a vulgarização dos remédios seja evitada e a criança cresça com mais autonomia e segurança.