A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 28/06/2021
Segundo o sociólogo Emile Durkheim, “o indivíduo só só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições das quais depende.” Em consonância com a ideia do pensador, as crianças, hodiernamente, não possuem entendimento das consequências da banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Portanto, é necessária a tomada de medidas para sanar esse impasse, ocasionado pela negligência de uma parcela de médicos e, por conseguinte, cria potenciais sequelas duradouras na vida desses indivíduos vitimizados.
Em primeira análise, cabe ressaltar que a falta de zelo de uma parte dos profissionais da saúde é a principal catalisadora do problema. Embora o Ministério da Saúde tenha o papel de ente regulatório da atuação dos médicos, é evidente que não consegue deter os terapeutas de receitarem remédios que não condizem com a necessidade dos pequenos pacientes. Dito isso, fica claro que a infância de milhares de pessoas com problemas escolares, sociais e físicos fica à mercê da arbitrariedade médica quanto seus problemas individuais, o que causa, nos casos mais amenos, problemas solucionáveis a médio prazo e, nos mais graves, efeitos vitalícios como a depressão e a ansiedade, relatados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em usuários de remédios não necessários.
Em decorrência disso, as complicações neurológicas, em situações mais graves, agravam a possibilidade de diversos problemas psicossociais. Na série da Netflix, “Como Vender Drogas Online”, é retratada a vida de um adolescente que decide traficar psicofármacos para adolescentes em um ambiente escolar, fato diretamente relacionado à casos da realidade. Dessa forma, é indubitável que o estímulo ao uso de drogas desde o período infantil se estende à juventude e traz consigo diversas características patológicas, como o vício, a depressão crônica, a incapacidade de socializar em diversos meios, o baixo desempenho escolar e até tendência suicida. Certamente, os dados fornecidos por pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indicam um aumento alarmante de casos de suicídio entre os jovens, relacionam-se com o argumento supracitado.
Infere-se, portanto, que a desordem parcial médica na prescrição de entorpecentes, como as anfetaminas, nos pequenos membros da sociedade possui íntima relação com a prosperidade mental da população. Posto isso, cabe ao Ministério da Saúde, em conciliação com o Poder Legislativo e os entes regulatórios da medicina, criar e efetivar leis mais rigorosas em relação à distribuição desses medicamentos, para proteger a infância individual e coletiva das novas gerações tupiniquins. Assim, observar-se-ia uma sociedade mais saudável e em sintonia com os preceitos idealizados por Durkheim.