A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 30/06/2021
No livro “Farenheit 451”, Ray Bradbury apresenta uma distopia cujo universo social se sustenta mediante a alienação e ausência de indagação. Nesse sentido, o excesso de ingestão de medicamento psicotrópicos e a introspecção no universo tecnológico são dados utilizados pelo autor para criticar não somente o universo abordado, mas também os rumos aos quais nossa sociedade atual dirige-se. Fora do cenário fictício, o uso indiscriminado das tecnologias e a má gestão educacional infanto-juvenil vêm corroborando com o aumento da ansiedade em nossas crianças, e, por conseguinte, com consumo de psicotrópicos nos primeiros anos de vida.
Em primeiro lugar, é inegável as benfeitorias no campo da comunicação causadas pela internet, principalmente como instrumento na luta contra a evasão escolar pós Covid-19. Porém, o uso constante do universo digital, somado à rotina de sedentarismo, provoca nas crianças um comportamento hiperativo e ansioso, pois, no âmbito digital, a comunicação e tranferência de dados ocorre, em sua maioria, rapidamente. Desse modo, as crianças se acostumam com a rapidez e facilidade cibernética e se frustam quando nossa realidade tangível não atende às diversas expectativas de comunicação, informação e lazer.
Além disso, o ambiente escolar não evoluiu ao ponto de disponibilizar os conteúdos educacionais interativos, dinâmicos e comunicativos que as crianças esperam na aprendizagem. Logo, o que vemos são crianças entediadas e deprimidas que são diagnosticadas e tratadas psiquiatricamente, mas que deveriam, antes de tudo, serem ouvidas em seções terapêuticas.
Em suma, são evidentes os fatores causadores de transtornos comportamentais. O legislativo, um dos poderes da república, deve ratificar leis mediante votação no congresso nacional obrigando as instituições públicas e privadas de ensino fornecerem atendimento psicológico a fim de diminuir maus hábitos. Assim, divergindo de “Fahrenheit 451”, os transtornos mentais e comportamentais serão combatidos na infância.