A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 15/07/2021
Medicalizar é converter em objeto da medicina e do médico, não só o corpo, mas as condutas humanas e os mecanismos que normatizam a maneira de viver das pessoas e das populações. Esse é um conceito eleborado por Michael Foucaut, filósofo francês contemporâneo, que explica muitos dos fenômenos que estão ocorrendo atualmente, como a trivialização de psicofármacos, principamemente na infância. Dessa forma, é necessária a reflexão acerca da influência desse comportamento no cenário atual.
Em primeiro plano, precisa-se do entendimento acerca do fenômeno que fez com que os remédios usados em transtornos mentais fossem banalizados. Com a ascensão da globalização, a vida cotidiana passou a visar a praticidade e, no campo das relações familiares, ocorre o mesmo. Dessa forma, muitos pais buscam solucionar o problema de seus filhos de forma mais fácil, por isso, quando as crianças são diagnosticadas com problemas mentais, ao invés de buscar soluções que resolvam a longo prazo a condição de seus filhos, procuram-se resoluções rápidas e, nesse ponto que os psicofármacos atuam. Porém, esses remédios, como todos os outros, apresentam efeitos colaterais, os quais podem ser prejudiciais futuramente.
A exemplo disso, crianças que apresentam o Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), têm dificuldade de absorver os conteúdos aprendidos nas aulas, por falta de concentração e, normalmente, são agitadas. Esse transtorno, muitas vezes, poderia ser tratado de outras maneiras, sem a necessidade da medicação, tais como a terapia, o empenho por parte dos pais em estabelecer horários para seus filhos e a busca por um ambiente adequado de estudo. Porém, buscam-se os remédios, como a ritalina, que irá acalmar o jovem a curto prazo, mas, a longo prazo, o indivíduo poderá apresentar falta de apetite, dificuldades em se relacionar e dependência física e psicológica do fârmaco. Isso mostra, que o medicamento só encobriu o problema e não o solucionou, de fato.
Infere-se, portanto, que apesar dos psicofármacos apresentarem soluções mais rápidas aos transtornos mentais, nem sempre convém utilizá-los. Por isso, cabe ao Ministérios da Saúde, juntamente com o Ministério das Comunicações, elaborar campanhas publicitárias de conscientização acerca dos efeitos a longo prazo que os remédios podem causar nas crianças, por meio de redes sociais, tais como o Instagram e o Twitter, que garantem maior audição, a fim de minimizar a banalização da medicalização e receita de psicofármacos na infância.