A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 01/07/2021

Uma mãe que recorre a um médico para conseguir uma receita de um medicamento que possa fazer seu filho dormir ou, ao menos, ficar “mais quieto”. Essa, poderia ser mais uma trama nas telas do cinemas ou o início de uma série. Porém, o episódio narrado acima pertence à vida real, sendo muito comun na sociedade contemporânea. O mais assustador e preocupante dessa história, é que elas conseguem as receitas, o que mostra uma desinformação de pais e médicos em relação à temática e indica a necessidade de enfrentamento da questão.

Inicialmente, cumpre destacar que grande parte dos médicos acreditam que a aplicação de medicamentos é a única via de tratamento para pessoas com transtornos psquiátricos ou comportamentais. Nesse sentido, um estudo da Universidade Estadual Paulista - UNESP mostrou que a prescrição abusiva desses remédios está relacionada a vários fatores como a supervalorização da concepção biológica do sofrimento psíquico, a esteriotipação do atendimento profissional em saúde e o abandono dos cuidados no atendimento clínico na compreensão da estrutura psíquica da pessoa. Assim sendo, a indicação de tratamentos alternativos costuma ficar em segundo plano, pois a maioria dos profissionais de medicina não acreditam na eficácia de tais terapias.

Além disso, a falta de conhecimento dos pais de crianças que apresentam distúrbios de comportamento na infância têm levado muitos a procurar unicamente as clínicas médicas ao primeiro sinal de transtornos mentais de seus filhos. Nesse ínterim, o Conselho Federal de Psicologia -CFP afirma que mais de 40% das crianças que possuem Défcit de Atenção tratável por meio de terapias, são levados, pelos pais, direto aos consultórios psiquiátricos, todos os anos no Brasil. Dessa forma, a criança que poderia ter sido tratada por meio de práticas integrativas como equoterapia, por exemplo, é induzida  à dependência química desde os primórdios da vida.

Portanto, é indispensável a adoção de medidas que venham a minimizar a problemática em tela. Com esse intuito, o Ministério da Saúde deve promover campanhas educativas voltadas para médicos e pais, por meio das redes sociais e da mídia televisiva, objetivando diminuir os casos de exposição de crianças à fármacos psicotrópicos e incentivar  a adoção de medidas alternativas para tratamento de problemas psicológicos e comportamentais da pessoa em desenvolvimento. Com essas medidas, será possível minizar os casos de dependência química infantil, culminando com o fim da banalização da prescrição de psicofármacos na infância.