A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 02/07/2021

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a banalização da prescrição de psicofármacos na infância, verifica-se que esse ideal conta na teoria e não desejavelmente na prática, seja pelo excesso de diagnósticos de transtornos em crianças; seja pela necessidade da pescrição de medicamentos psiquíatricos de forma correta e associados a psicoterapias e terapias alternativas.

Em primeiro plano, é importante ressaltar como o excesso de diagnósticos de transtornos, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) contribuiu para a banalização do uso de psicotrópicos na infância. Dessa forma, muitas crianças que estão em processo de desenvolvimento e que demostram um comportamento mais agitado e mais energético são diagnósticas sem realmente apresentarem um transtorto, o que leva ao uso desnecessário de psicofármacos. Segundo o Ministério da Saúde, as estimativas de prevalência do TDAH em crianças e adolescentes no Brasil são bastante discordantes, com valores de 0,9% a 26,8%.

Outrossim, destaca-se a importância da prescrição de psicofármacos de forma mais cautelosa e associados a outras terapias alternativas. Crianças e adolescentes diagnósticadas com algum transtorno precisam não apenas de medicamentos, mas também de acompanhamento psicológico e de  terapias alternativas que influenciem positivamente nas questões comportamentais, pedagógicas, sociais e emocionais da criança. Assim, apenas o uso isolado e excessivo de medicamentos não resolve todos os problema e apresentam o risco de dependência física e psicológica. Segundo Marilene Proença, professora da USP, os medicamentos podem funcionar apenas como um paliativo para resolverproblemas mais profundos.

Portanto, medidas  são necessárias para a resolução desse impasse. O governo Federal, deve, por meio de parcerias público-privadas, investir em campanhas educativas em escolas,  postos de saúde e praças, para alertar pais e a comunidade em geral sobre os riscos do uso indiscriminado de remédios na infância, afim de reduzir a banalização da prescrição de psicofármacos para crianças. Além disso, o Ministério da Saúde, por meio de projetos e aplicações de lei, deve apresentar trabalhos com propostas do uso psicoterapias no lugar de medicamentos ou associados a eles e com os riscos de psicotrópicos visando assim aumentar o uso de terapias alternativas e psicoterapias. Dessa forma, se consolidará uma sociedade mais consciente pautada nos ideais iluministas.